No delicioso filme de animação Ratatouille, o arrogante, soturno, destruidor de restaurantes e crítico gastronômico Anton Ego é invadido por uma onda de humildade e nostalgia ao provar um prato do mini-chef Remy, que evocava os sabores da sua infância. A melhor cena do filme.
Os sabores da infância provocam isso mesmo. Numa hilária discussão com amigos foi colocada em pauta a origem do saudoso Molho Farrapo, iguaria que é uma mistura de vinagre e especiarias, utilizada na década de 70 em 110% dos bares de esquina para acompanhar pastéis, coxinhas e o tradicional ovo cozido, entre outros quitutes.
Pois bem, descobriu-se que é fabricado atualmente em Capivari de Baixo-SC pela empresa Graziela. Digo atualmente, pois a origem do famigerado é Gravataí-RS, onde havia uma fábrica que fechou por conta da má administração, diz-se.
Para evocar os sabores da infância, no capítulo II serão feitos experimentos da delícia atual, adquiridas em 3 versões pela internet. Por enquanto vamos nos ater a fatos históricos e, como diria o Barão de Itararé, partir para o terreno da galhofa.
Um amigo questionou a relação entre o Molho Farrapo e a Revolução Farroupilha, se não seria briga por molho para colocar no churrasco, além do suposto parentesco entre Anita Garibaldi e Graziela.
Outro, residente na região dos lagos de Braço do Norte, estudioso do assunto, esclareceu a questão:
“Anita é aquela moça de Laguna, que botou um galho no marido porque o mesmo não gostava de Molho Farrapo. Aí deixou tudo pra Graziela que caiu na bebedeira e inventou uma bebida própria.
Anita, antes de fugir para a Itália, namorou metade dos homens da república Juliana. Ela fugiu com um italiano que não queria nada com o trabalho, vivia fazendo confusão por onde passava. Inclusive numa dessas confusões, dentro de um bar em Capivari de Baixo, afirmou que o Molho Farrapo era uma porcaria. Daí começou a revolução farroupilha.
Bento Gonçalves, que era um latifundiário gaúcho, produtor de charque e tomador de Campari, tomou as dores do italiano e criou toda a confusão da revolução que não deu em nada.
Não deu em nada porque o mesmo Bento quando estava em Imaruí, resolveu comer um ovo cozido e o dono do bar, só por sacanagem, pingou umas gotas do molho de Capivarí escondido. O Bento gostou tanto que comeu uns 5 ovos com Campari. Só depois que o dono do bar revelou que tinha posto o molho, Bento Gonçalves mudou de idéia e queria o couro do italiano vadio e da moça de Laguna, tanto é que os dois fugiram para a Itália.”
Já um poeta, semi-compositor e DJ nas horas vagas comentou que “uma dose de Campari, uma coxinha com Molho Farrapo, parar na beira da BR-101 pra admirar a igreja da Estiva...a vida é feita de pequenos e belos momentos”.
Em alguns pode até provocar momentos de saudosismo como "comer coxinha de galinha no bar dos gêmeos Nelson e Nilson forrado de Molho Farrapo...não tem preço. Comer rosquinha doce forrada de molho farrapo na bodega do Rincão e depois de ir se torrar a pé até o Torneiro... aí não tem preço...maneiro!".
Ou momentos do mais puro mistério como "até esses dias o rótulo do produto trazia em letras garrafais a palavra "cosinha". Não sei se era uma referência ao coisinha de jesus ou à culinária, mas acho que aí tá o segredo".Na imagem, o quadro A batalha dos Farrapos, de Wasth Rodrigues.
Colaboração: Mattei, Gardel, Capi, DJ e Marcão, todos admiradores do Molho Farrapo e galhofeiros da "guerra perdida". Compartilhe no Facebook