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sexta-feira, 26 de março de 2010

Cabeças vão rolar


Danton (Andrzej Wajda – 1982)

O polonês Wajda tem uma visão peculiar (verdadeira?) da Revolução Francesa. O seu Georges Danton é aclamado pelo povo, libertário, perseguido pelos jacobinos, mas é algo inconseqüente, esbanjador e, talvez, oportunista. Robespierre é enigmático, austero, quase doentio. Tenta manter o ideal da revolução, mas não pensa duas vezes antes de governar com a guilhotina. É o Terror.

Estamos ali apenas no segundo ano da República Francesa (1794) e a liberdade, a igualdade e a fraternidade já foram pro espaço há muito tempo.

Wajda filma tudo com mão de mestre e Danton e seus asseclas não tardam em ter suas cabeças cortadas em câmera lenta. O filme para por aí mas, como se sabe, não demorou para Robespierre e o Comitê de Salvação Pública terem o mesmo destino. Era a vez do Diretório e, cinco anos depois, do General Bonaparte. Mas aí é outra longa história.
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terça-feira, 24 de outubro de 2006

Corredor polonês


Por indicação de um velho amigo me deparei com Kanal, o clássico do polonês Andrzej Wajda , de 1957. A trama é simples: em 1939, Varsóvia está dominada pelos nazistas e a resistência polonesa, acuada, tenta fugir pelos esgotos da cidade. A partir deste mote, Wajda constrói um mundo claustrofóbico, onde os personagens vão morrendo ou enlouquecendo aos poucos, tendo que escolher entre afundar em excrementos ou serem fuzilados pelos alemães. Do longo plano inicial sem cortes, onde são apresentados os personagens que, sabe-se, morrerão, até a cena do esgoto trancado com grades com a cidade ao fundo, tem-se a sensação que nada tem salvação. Talvez a salvação esteja em assistir uma maravilha como esta de quase 50 anos.
A belíssima fotografia em preto-e-branco e o rigor técnico de Wajda ficam muito prejudicados numa tela de 29 polegadas. É como ouvir o ataque de baixo e bateria em I am One, dos Pumpkins, num radinho à pilha. Fica uma ponta de decepção, mesmo assim estaremos salvos.

Na imagem, Tadeusz Janczar e Teresa Izewska em momentos de delírio e lucidez rumo a lugar nenhum. Compartilhe no Facebook