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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Gran Torino



Dá para imaginar que enquanto Clint Eastwood praticava seu estilo clássico no bacanudo A Troca, também estava maquinando mais uma obra prima para a posteridade. Pois é isto que parece este Gran Torino, o estilo Clint de ver o mundo e botar o dedo na ferida através de um cinema quase perfeito.

Mas no estilo Clint não há espaço para melodramas nem panfletarismos. O que acontece é um western urbano com direito a lucubrações sobre a vida e a morte, um duelo final e, claro, a redenção definitiva. A redenção nos filmes de Clint nunca é a que imaginamos nem muito menos a que desejaríamos para nós, mas é sempre uma grande redenção.

Um gênio esse Clint.
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terça-feira, 28 de agosto de 2007

Um outro olhar


Dizer que Clint Eastwood está num estágio soberbo, com um domínio da linguagem cinematográfica e uma eloqüência mordaz é chover no molhado. Mas não custa ressaltar as qualidades deste filme inusitado por excelência. Em Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima - 2006), o contraponto japonês sobre o prisma norte-americano de A Conquista da Honra (veja aqui), não só se opõe àquele ponto de vista da batalha, como também lança um olhar completamente diferente sobre a guerra , sobre a vida e sobre a própria ilha.

Na mesma fotografia em sépia e falado em japonês, Clint filma belíssimos ângulos opostos da ilha, o interior das cavernas, a vila dos moradores (existiam moradores?) . Aqui Iwo Jima é tratada como um lugar sagrado e não mais apenas como um pedaço de terra a ser assaltado. A esperança também é diferente. Os americanos esperam voltar pra casa, os japoneses apenas morrer na ilha com alguma honra. Além disso os inimigos, sendo os americanos, são tratados à distância como bons, maus, covardes, corajosos, éticos ou bandidos que matam desertores do outro lado à queima-roupa.
Os japoneses não são tratados com benevolência nem de forma caricatural. O olhar de Clint é, por assim dizer, humano e com credibilidade.
Ainda dá para escrever um tratado sobre as interpretações dos atores, Watanabe à frente, focadas nos olhares melancólicos e assustados.

Vamos e venhamos, este diretor de 77 anos é mais incisivo do que dez Michael Moore juntos.


Na imagem, o soldado Saigo e seu olhar perplexo.
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quinta-feira, 5 de abril de 2007

A Bandeira



Para Clint Eastwood, na guerra não se luta pelo país ou por uma ideologia. Na guerra se luta pelo parceiro ao lado; o resto é show business.
Em A Conquista da Honra (Flags of Our Fathers - 2006) o velho cowboy basicamente conta a história (ou a farsa) de uma foto, tratando os soldados com delicadeza e até complacência, mas sem deixar de dar um tapa com luva de pelica na indústria da guerra. Não é à toa que este mais Cartas de Iwo Jima foram recebidos com frieza nos EUA. Sorte nossa.
Com uma fotografia saudosista em sépia, arriscando alguns travellings arrojados e com cenas de guerra magníficas, Clint diz o que pensa e não deve nada a ninguém.

Imagem: soldado no monte Suribachi, sul da iIlha de Iwo Jima, numa poderosa cena do filme.
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sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Mundo imperfeito


Calejado e clarividente, Clint Eastwood chega a quase três dezenas de filmes como diretor aos 76 anos. De ator semi-canastrão quase-mudo dos filmes de Sergio Leone a um realizador perspicaz e efetivo, Eastwood vai envelhecendo e produzindo cada vez mais como se sentisse que vai faltar tempo.
Longe da cantilena democrata e do belicismo republicano, tornou-se um independente, mesmo dentro da grande indústria. Já homenageou quem quis, virou o western de cabeça pra baixo, deu um murro sutil na pena de morte e já nos fez chorar sem ser piegas muitas vezes, além de ter duas qualidades cada vez mais raras: talento e credibilidade.
Pois este senhor que podia estar em casa esperando o tempo passar está lançando dois filmes quase simultaneamente. Filmou a sangrenta batalha de Iwo Jima, durante a segunda guerra, e nos oferece A Conquista da Honra (visão americana) e Iwo Jima, o Portal da Glória (perspectiva japonesa). A conferir, mas já se sabe de antemão que Clint Eastwood é um sábio. Compartilhe no Facebook