
Dia 24 de dezembro é dia de cozinha. A despeito da religiosidade de uns, do mercantilismo de outros, pra mim a ceia de natal é a hora de se enfiar entre as panelas, comer e beber junto a parentes e amigos.
O espírito natalino às vezes me causa espanto. Da minha janela vislumbro duas lindas praças. Numa, onde se localiza a catedral, fiéis enchem a igreja, mas não sem antes deixar seus bonitos automóveis estacionados sobre o calçadão sob o olhar complacente da polícia e a aprovação do bispo. O próximo, digo pedestre, que se exploda. É muito estranho o espírito natalino.
Na outra, moradores dos arredores enfeitam a bucólica pracinha com belíssimas lâmpadas e arranjos, mas é de causar estranheza isso acontecer depois de um ano inteiro de desleixo, onde o poder público e os mesmos moradores a deixaram numa situação de causar vergonha em urubus (lixo espalhado, lixeiras quebradas, brinquedos detonados). O espírito natalino é bizarro às vezes.
Voltando às panelas, a idéia é ter uma mesa alegre onde todos bebam e se fartem. Estou maquinando alguns marrecos recheados, temperados com muita sálvia, um risotto de bacalhau como opção, um purê de batata salsa. Estou maquinando...
Também acabo de ler uma sugestão que me deixou com água na boca. Fatias de panettone levemente assadas com pinceladas de manteiga, para depois serem embebidas num delicioso creme de baunilha. Hummm, eu adoro o espírito natalino.
"See us
Watch how the city consumes us
Watch how the city destroyes us
Prices i'm happy to pay"
Trilha sonora: Delgados em City Consume Us

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