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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Faith No More encontra Alfred Hitchcock

O ano é 1997, quase ali, e o FNM está se despedindo. O petardo quase metal é filmado com uma citação do velho Hitch, Vertigo (Um Corpo que Cai). Mike Patton, grande cantor e notório canastrão, faz as vezes de James Stewart; já a gélida/tórrida Kim Novak é "interpretada" pela intrépida e talentosa Jennifer Jason Leigh. É a última taça de mágoa.

Saudades do Faith No More.



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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Ladrão de Casaca


To Catch a Thief - 1955

Uma beleza rever este filme de Hitchcock depois de muitos anos. Já tinha esquecido o quão divertido é. Não só divertido, um colírio que beira a perfeição. Perseguições, loiras fatais, intrigas, roubos, um inocente tentando provar que não é culpado (óbvio) e muito humor fino. Tudo filmado com economia e talento na Cote D'Azur.
E tem Grace Kelly, a mulher atemporal.

Por falar nisso, Hitchcock comenta sobre sexo:

Quando trato das questões de sexo na tela, não esqueço que, mesmo aí, o suspense comanda tudo. Se o sexo é espalhafatoso demais e óbvio demais, acabou-se o suspense. O que é que me dita a escolha de atrizes louras e sofisticadas? Procuramos mulheres de alta classe, verdadeiras damas, mas que no quarto se tornarão putas. A pobre Marilyn Monroe tinha o sexo estampado em todo o rosto, como Brigitte Bardot, e isso não é muito fino.

Esse é o velho Hitch.

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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Alfred-François


O pátio de Rear Window e o livro


Nos anos 50, Alfred Hitchcock ainda era considerado nos EUA um diretor “comercial” e, pasmem, sem grande valor artístico. Jovens cineastas franceses como François Truffaut iam na contramão. Para eles Hitch era o supra-sumo da arte cinematográfica. O rei dos planos econômicos.
Na década de 60, Truffaut foi mais fundo e entrevistou Hitch por longas horas. Dissecaram toda a obra do cineasta inglês, descrita por completo no maravilhoso livro Hitchcock-Truffaut.
A análise detalhista do francês mais a autocrítica impiedosa do inglês rendem passagens instigantes, como esta:


Truffaut
A propósito, penso numa coisa que provavelmente é uma regra no seu trabalho: você só mostra a totalidade de um cenário na hora mais dramática da cena. Em Agonia de Amor, quando Gregory Peck parte, humilhado, nós o vemos indo embora, de muito longe, e pela primeira vez vemos o tribunal por inteiro, quando na verdade faz cinqüenta minutos que estamos ali.
Em Janela Indiscreta, você só nos mostra o pátio por inteiro quando a mulher grita, depois da morte do cachorro, e depois que todos os moradores aparecem na janela para ver o que está acontecendo.


Hitchcock
É sempre a questão de escolher o tamanho das imagens em função dos objetivos dramáticos e da emoção, e não simplesmente com a finalidade de mostrar o cenário. Outro dia, eu estava filmando um programa de uma hora para a televisão e via-se um homem entrando numa delegacia para ser preso. No início da cena, filmei o homem bem de perto, entrando, e a porta se fechando; ele se dirige a uma mesa, mas não mostrei todo o cenário. Disseram-me: “Você não quer mostrar toda a delegacia, para que as pessoas saibam que estamos numa delegacia?”. Respondi: “Para quê? Temos o sargento de polícia com três galões no braço e que aparece na abertura da imagem, basta isso para estabelecer que estamos numa delegacia. O plano geral poderá ser muito útil num momento dramático, por que desperdiçá-lo?”. Compartilhe no Facebook

domingo, 2 de julho de 2006

Lost in translation



Alguns tradutores de livros deveriam receber o prêmio Nobel de literatura. Um sujeito que enfrenta uma empreitada de traduzir, por exemplo, O Som e a Fúria, de Faulkner, merecia uma estátua. O mesmo não se pode dizer de alguns tradutores de títulos de filmes. Às vezes tenho a nítida impressão que fazem parte de uma confraria, onde se reúnem para dar os títulos mais esdrúxulos a determinados filmes e ficarem tirando onda com os espectadores. O título deste post, "Lost in Translation", é do delicado filme de Sofia Coppola, onde dois personagens passam uma temporada no Japão e se sentem perdidos entre costumes e um idioma totalmente estranhos. "Perdidos na Tradução" saiu no Brasil com o singelo nome de "Encontros e Desencontros". Num comentário anterior, um amigo português se referiu ao western de Sergio Leone "O Bom, o Mau e o Feio", como "O Bom, o Mau e o Vilão", título de portugal. Convenhamos que, entre um indivíduo ser vilão e feio, tem uma enorme diferença.
Aproveitando este mote, comparo alguns dos filmes de Hitchcock entre a edição brasileira de um livro já clássico de entrevistas entre Truffault e o próprio Hitch e uma edição portuguesa da filmografia do cineasta, por Paul Duncan. Notem o estranho sarcasmo e uma evidente obsessão dos tradutores em contar o enredo do filme (às vezes até entregando pontos chaves), com diferentes conotações dos dois lados do Atlântico:

Sabotage - O Marido era o culpado (br e pt)
Risos.

Mr and Mrs Smith - Um casal do barulho (br) - Meu marido é solteiro (pt)
Este não vi, mas já sei a metade.

Shadow of a doubt - A sombra de uma dúvida (br) - Mentira (pt)
Era pra ser uma dúvida, mas os portugueses declaram de cara que Joseph Cotten (tio Charlie) estava mentindo mesmo.

Notorious - Interlúdio (br) - Difamação (pt)
hããn? Três títulos completamente diferentes.

Stranger on a train - Pacto Sinistro (br) - O desconhecido do Norte-Expresso (pt)
Entrega brasileira.

Vertigo - Um corpo que cai (br) - A mulher que viveu duas vezes (pt)
Aqui os brasileiros entregam três cenas cruciais e os portugueses o mote principal que deveria ser revelado somente no meio do filme.

Rope - Festim diabólico (br) - A Corda (pt)
Originalidade brasileira

Spellbound - Quando fala o coração(br) - A casa encantada (pt)
Achei bonito desta vez, os dois.

The trouble with Harry - O terceiro tiro (br e pt)
Mais uma entrega sem culpa

North by Northwest - Intriga internacional (br e pt)
Ok, aceito.

Rebecca - Rebeca, a mulher inesquecível (br) - Rebeca (pt)
Rebuscado, mas precisava? Compartilhe no Facebook