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sábado, 6 de agosto de 2011

Fome de viver

Esqueça os filmes de vampiros que andam rolando por aí com péssimos atores, temas pré-adolescentes e diretores quadrados.
Em 1983 o talentoso Tony Scott já estava fixado em Hollywood, mas nem por isso deixaria de criar ali mesmo uma pequena jóia que ainda sobrevive às sombras. The Hunger (Fome de Viver) nos apresenta a lindíssima vampira Catherine Deneuve e a médica sexy Susan Sarandon em cenas tórridas, além de um David Bowie melancólico e enigmático, protagonizando a perfeita metáfora da vida. 
Já de início Scott apresenta suas armas: numa casa noturna Bowie e Deneuve caçam as próximas vítimas; no palco nada menos que os ingleses "góticos" do Bauhaus entoam "Bela Lugosi's Dead". O sangue vai rolar.

White on white
Translucent black capes
Back on the back

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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Che 2, A Guerrilha


O irregular Steven Soderbergh acerta a mão mais uma vez, assim como no primeiro Che. Ali o tom documental tinha entranhado um quê festivo e de esperança, afinal estávamos na véspera da tomada do poder pelos revolucionários.
Em Che 2, a guerrilha é na Bolívia, o tom documental é o mesmo, mas a melancolia persiste do início ao fim. Talvez pela morte anunciada, talvez pelas belíssimas imagens de La Paz e das cordilheiras, talvez pela interpretação emblemática de Del Toro.
Os militares bolivianos, capitaneados pelos estadunidenses, dizimaram os rebeldes em dois tempos e Che foi executado com as mãos e os pés amarrados, à queima-roupa, por ordens superiores. Dessa vez o Império não iria vacilar.
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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Shutter Island


A Ilha do Medo, por Martin Scorsese – 2010.

O calejado Scorsese manda muito bem num ótimo film noir, mas não um film noir comum. Realidade, sonho e alucinação se confundem em cenas perfeitamente encadeadas. Nem após sair da sala de exibição o espectador saberá distinguir exatamente o que é uma coisa e o que é outra, é bom avisar.

Mas, afinal, não é isso o cinema?

Gênio.
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sexta-feira, 26 de março de 2010

Cabeças vão rolar


Danton (Andrzej Wajda – 1982)

O polonês Wajda tem uma visão peculiar (verdadeira?) da Revolução Francesa. O seu Georges Danton é aclamado pelo povo, libertário, perseguido pelos jacobinos, mas é algo inconseqüente, esbanjador e, talvez, oportunista. Robespierre é enigmático, austero, quase doentio. Tenta manter o ideal da revolução, mas não pensa duas vezes antes de governar com a guilhotina. É o Terror.

Estamos ali apenas no segundo ano da República Francesa (1794) e a liberdade, a igualdade e a fraternidade já foram pro espaço há muito tempo.

Wajda filma tudo com mão de mestre e Danton e seus asseclas não tardam em ter suas cabeças cortadas em câmera lenta. O filme para por aí mas, como se sabe, não demorou para Robespierre e o Comitê de Salvação Pública terem o mesmo destino. Era a vez do Diretório e, cinco anos depois, do General Bonaparte. Mas aí é outra longa história.
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quinta-feira, 4 de março de 2010

Mashup

O termo “mashup” na internet se refere à mistura de vários elementos de programação web, para a criação de sites, etc. Numa analogia, também temos os mashup videos, que nada mais são do que o nerd de plantão utilizar uma música qualquer misturada a um filme, montando assim o seu próprio music video. Há um tempo atrás este blog mostrou aqui um impresionante mashup de Sergio Leone + Arcade Fire (espie aqui).

Nessa onda, o hiper-mega-hit dos franceses do Phoenix, Lisztomania (2009), uma delícia com batida oitentista, originou um mix de filmes teen dos 80, a saber: The Breakfast Club, Pretty in Pink, Mannequin e Footloose.

Confira o que fez uma fã do Phoenix. Hilariante e um primor de edição:
So sentimental
Not sentimental no!


A versão original de Lisztomania:
http://www.youtube.com/watch?v=4BJDNw7o6so
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Três dedos bastardos


Na (talvez) melhor cena dos Bastardos de Tarantino, soldados aliados disfarçados de nazistas dividem uma obscura taberna com um bando de soldados da SS. Ali a desconfiança impera e a desfaçatez vai ao limite do caradurismo. O inglês é traído ao pedir mais três canecas de cerveja. Usou os três dedos do meio da mão ao invés dos três primeiros, como usam os alemães (ver figura). Aí, meu amigo, é só estampido, zunido e sangue pra todo lado. Só sobraram um pé de sapato e uma linda loira branquinha.

Velho conhecido deste blog e morador de uma cidade de descendentes alemães, perguntado sobre a utilização do costume por lá,respondeu:

- Nunca notei, na dúvida vou pedir de um em um.

Sábias palavras.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Desencontro na locadora - II


Nem tudo são flores no mundo das locadoras (um caso antigo foi comentado aqui). The Liar, colaborador deste blog, ao tentar ver Gran Torino pela décima vez, se dirigiu ao local de costume:
- Não achei o Gran Torino na prateleira, tá alugado? A atendente não titubeou: - Não, tá na seção de “terror”, o dono mandou colocar lá.

Pano rápido.

Obs: The Liar garante que essa é verídica.
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Bastardos Inglórios



Inglorious Bastards – Quentin Tarantino (2009)

A despeito do mundo de referências que explodem na tela, o cinema de Tarantino tem vida própria. E que vida. Nesse Bastards, vingança e cinismo andam de mão dadas. Ninguém nunca é o que aparenta ser. E ,claro,violência catchup, escracho e tensão, muita tensão.Um festival de cenas longuíssimas que se resolvem com olhares ameaçadores, suor escorrendo e sempre um gran finale. Cinema, teu nome é tensão. E diversão.
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domingo, 6 de dezembro de 2009

Public Enemies

Inimigos Públicos - Michael Mann (2009)

Segundo Michael Mann, a idéia era fazer o espectador se sentir em 1933 e não apenas ver um filme sobre algo que aconteceu em 33. Impressionante como consegue isso mesmo. Cenas noturnas de tiroteio filmadas em alta definição poderiam virar um pastiche nas mãos de um publicitário qualquer. Com Mann, viram uma obra de arte para a posteridade.

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sábado, 10 de outubro de 2009

A Viagem do Balão Vermelho


O taiwanes Hou Hsiao-Hsien homenageia O Balão Vermelho de Albert Lamorisse (1956) e nos mostra a visão infantil, adulta e estrangeira de uma lindíssima Paris. Não aquela dos turistas, mas a do dia a dia, das agruras da vida e das belezas cotidianas. Belezas que podem estar camufladas nos reflexos dos vidros, nos bastidores dos teatros de marionetes ou num quadro pintado há dois séculos.
Se o mundo ainda tem alguma delicadeza, boa parte está no coração de Hou Hsiao-Hsien.
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sábado, 26 de setembro de 2009

3 Macacos


O cineasta turco Nuri Ceylan radicaliza na proposta. Um filme sem trilha sonora (a não ser uma onipresente música num toque de celular), imagens lúgrubes em tons cinzas de Istambul, uma cidade dividida. Closes longos em rostos pensativos e desesperados. Ali o pouco que acontece é trágico e mal é comentado, apenas corrói as pessoas por dentro. Lindo e impressionante. Compartilhe no Facebook

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Zodíaco


(Zodiac, de David Fincher – 2007)

Não espere encontrar em Zodíaco um emaranhado de assassinatos que, finalmente, irão levar ao serial killer da vez. O que interessa ao perfeccionista Fincher, na verdade, é o que levou três homens obcecados (o inspetor David Toschi, o jornalista Paul Avery e o cartunista Robert Graysmith) a dedicarem metade de suas vidas tentando desvendar um mistério. Um mistério dentro de um mistério e ambos nunca se revelarão, diga-se. Um Fincher que beira a perfeição.
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sábado, 16 de maio de 2009

Arcade Fire encontra Sergio Leone

Duas coisas imbatíveis: do ótimo álbum Neon Bible (2007) do Arcade Fire, a lindaça "My Body is a Cage". Do maravilhoso filme de Sergio Leone, Era Uma Vez no Oeste (1968), a cena do duelo final, uma obra prima de closes e flashbacks.
Charles Bronson, o "Harmônica", foi obrigado por Henry Fonda a matar o irmão quando era um garoto. Agora é a hora do acerto de contas.
O designer J Tyler Helms inventou de juntar Arcade e Sergio. O resultado, perceba, parece que nasceram um para o outro.

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Gran Torino



Dá para imaginar que enquanto Clint Eastwood praticava seu estilo clássico no bacanudo A Troca, também estava maquinando mais uma obra prima para a posteridade. Pois é isto que parece este Gran Torino, o estilo Clint de ver o mundo e botar o dedo na ferida através de um cinema quase perfeito.

Mas no estilo Clint não há espaço para melodramas nem panfletarismos. O que acontece é um western urbano com direito a lucubrações sobre a vida e a morte, um duelo final e, claro, a redenção definitiva. A redenção nos filmes de Clint nunca é a que imaginamos nem muito menos a que desejaríamos para nós, mas é sempre uma grande redenção.

Um gênio esse Clint.
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quinta-feira, 12 de março de 2009

Pane, tulipani e vongole



No simpático Pão e Tulipas (2000), de Silvio Soldini, a personagem de Licia Maglietta só se realiza depois que vai para Veneza. Até encontra um grande amor.

As imagens passam uma incontrolável vontade ir morar na cidade italiana; ou pelo menos passar um bom tempo por lá.

O crítico gastronômico e glutão Jeffrey Steingarten já comentou sobre ela:

"Para extrair o máximo de uma visita a Veneza, o viajante tem de dominar diversar palavras e frases locais. Duas das mais úteis são: Senta, portrei avere un'altra porzione colossale di vongole veraci? (Garçom, por favor, outra tigela gigantesca desses pequenos moluscos picantes e perfeitos?); e Ucciderei por un piatto di cannocchie ai ferri (Eu seria capaz de matar alguém por um prato dessas tamarutacas grelhadas, o crustáceo mais doce de toda a Criação).

Os frutos do mar de Veneza e da costa adriática, mais para o sul, são, facilmente, os melhores que já provei na vida."


E eu digo, não é pouco o que esse Jeffrey já provou. Compartilhe no Facebook

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Ladrão de Casaca


To Catch a Thief - 1955

Uma beleza rever este filme de Hitchcock depois de muitos anos. Já tinha esquecido o quão divertido é. Não só divertido, um colírio que beira a perfeição. Perseguições, loiras fatais, intrigas, roubos, um inocente tentando provar que não é culpado (óbvio) e muito humor fino. Tudo filmado com economia e talento na Cote D'Azur.
E tem Grace Kelly, a mulher atemporal.

Por falar nisso, Hitchcock comenta sobre sexo:

Quando trato das questões de sexo na tela, não esqueço que, mesmo aí, o suspense comanda tudo. Se o sexo é espalhafatoso demais e óbvio demais, acabou-se o suspense. O que é que me dita a escolha de atrizes louras e sofisticadas? Procuramos mulheres de alta classe, verdadeiras damas, mas que no quarto se tornarão putas. A pobre Marilyn Monroe tinha o sexo estampado em todo o rosto, como Brigitte Bardot, e isso não é muito fino.

Esse é o velho Hitch.

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Curto e fino


Irmãos Coen em Queime Depois de Ler (Burn After Reading – 2008)

Em pouco mais de 90 minutos, Joel e Ethan Coen retomam o humor negro e destroem qualquer possibilidade de ver alguma coisa séria num americano médio. Personagens que variam do patético ao de puro cinismo são execrados, por assim dizer, de forma hilariante.

A obsessiva Frances McDormand e o “bombado” Brad Pitt fazem frente aos decaídos John Malcovich e George Clooney numa trama absurda e improvável.

Espantoso mesmo é o impagável cinismo dos chefões da CIA, sem falar na ex-KGB.

A não perder.
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terça-feira, 11 de novembro de 2008

A Dama de Shanghai


Em 1948 Orson Welles ainda era casado com Rita Hayworth e a dupla propôs este film noir à Columbia. Proposta aceita, orçamento estourado, filme retalhado. Sobraram 90 minutos. E que 90 minutos!

As intrigas, assassinatos, sombras e mulheres fatais estão todos lá, mas são apenas subterfúgios para Welles derramar um punhado de imagens maravilhosas. Impossível não ficar abismado em ver um filme soturno deste calibre ter como pano de fundo a paradisíaca e ensolarada Acapulco. Impossível não ficar emocionado com os closes no rosto lacrimejante de Rita.

O que dizer então da cena final na sala de espelhos?

Dá uma espiada




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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Paul Newman em três tempos

Na ordem de preferência deste escriba.


Cat on a Hot Tin Roof (Gata em Teto de Zinco Quente - 1958 - Richard Brooks)


Butch Cassidy and the Sundance Kid (BC & SK - 1969 - George Roy Hill)


Road to Perdition (Estrada para Perdição - 2002 - Sam Mendes)

De quebra, os melhores momentos de Gata ao som de Tegan & Sara.


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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Lebowski


O Grande Lebowski (Joel e Ethan Coen - 1998)

O roteiro intrincado de Ajuste Final (1990) passa longe deste The Big Lebowski. Não que aqui não haja confusão, mas ela fica por conta dos personagens, confusos e hilários. Hilários porque se levam a sério e ao mesmo tempo são cativantes.

The Dude, um hippie atemporal, tem flashbacks de ácido, devidamente documentados por Joel Coen. Donny quase não fala e Walter, que lutou no Vietnã e é judeu convertido pela ex-mulher (!?), não diz coisa com coisa. Personagens periféricos completam o quadro bizarro . Quase todos jogam boliche.

Em qual outro filme poderíamos ver um “pervertido” chamado Jesus lamber uma cintilante bola de boliche em câmera lenta, antes de fazer um strike?


Jeff Bridges
- The Dude
John Goodman
- Walter Sobchak
Julianne Moore
- Maude Lebowski
Steve Buscemi
- Donny
David Huddleston
- The Big Lebowski
Philip Seymour Hoffman
- Brandt
John Turturro
- Jesus Quintana
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